Bárbara Heliodora da Baixada Santista

um blog fora de época, por Roberta Taka Bernardo


Crítica de Valência = 2 homens + 1 cooler

Você doaria um rim pro seu amigo? É essa a questão que Valência = 2 Homens + 1 Cooler nos faz refletir durante 1 hora e meia de TEATRO. Sem cenário, com muito corpo, 2 cadeiras e 1 cooler, Rodolfo Amorim e Victor Bittow entregam drama e comédia em uma dramaturgia nacional original deliciosa.

Desculpa. É que eu amo a autora desse texto. Desde que assisti Bárbara, virei fã da Michelle Ferreira. E Valência é, definitivamente, um texto de Michelle Ferreira. Mais uma vez, a loba veio aí com uma dramaturgia moderninha, com música, reflexões filosóficas e psicanalíticas, sem perder o pop que é tão característico da sua escrita.

Acontece que, mais uma vez, a queen nos entrega o fino da dramédia, que, para mim, é uma das formas mais bem-sucedidas de interpretar a realidade, porque, na vida real, a gente dá risada do que é trágico e faz piada em momentos de desespero. Ao misturar drama com humor, Valência desarma o público, que vai dando risada e curtindo as dancinhas até o momento em que o drama se intensifica e nos vemos diante de uma situação em que os personagens revelam questões muito profundas e humanas. A gente fica até sem graça de estar ali, vendo aqueles dois amigos lavando a roupa suja diante da plateia.

Partindo de um drama real, Valência nos mostra o que pode um palco e propõe uma inversão de papéis no estilo do que vimos em A Última Entrevista de Marília Gabriela, também de Michelle, mas dessa vez de um jeito diferente. A peça usa o som e a luz de forma chiquérrima, nos levando para realidades paralelas e criando todo um mundo possível. Os atores, sempre com muita presença, convidam a plateia a entrar no jogo, ora enfatizando que estamos no teatro, ora nos convidando a engajar com o drama: “vocês querem saber o que estava escrito na mensagem que ele apagou ?” Claro que sim!!!!!

A direção de Michelle incorpora a trilha sonora e a dança como parte da narrativa, tudo compõe a construção subjetiva do que é aquela história. É TEATRO!!! Os personagens são muito bem construídos e a dramaturgia não dá ponto sem nó. Ela segue o princípio da arma de Tchekhov, que diz: “Se, no primeiro ato, você mostra uma arma, no segundo ou terceiro ato ela deve disparar. Se não, não a coloque ali.” Todos os elementos que constituem a história estão dispostos de forma a levar a algum lugar. É TEXTO!!!!

A crítica de hoje não tem crítica. O blog é meu e eu falo o que eu quiser.



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